quinta-feira, 15 de maio de 2014

Prometeu Acorrentado

Escuridão de cabeças se agitando
Sombras momentaneamente eternas
O céu partido ilumina Macacos Humanos
Um sol vermelho brilha em olhos agudos

Eles se reúnem ao meu redor
Flores incandescentes brotando dos dedos
O calor sopra vaga-lumes efêmeros
Ergo-me na vastidão
Braços que buscam o céu

Pés descalços descompassados
Uns fogem nas trevas do medo
Outros flutuam lentamente
Mariposas recém transmutadas,
perseguindo luz pela primeira vez
Gritos primordiais de vitória rasgam as estrelas


A fumaça escura preenche nuvens em êxtase
Uma gota solitária escorre pelas entranhas,
despencando nos paralelepípedos sujos e nervosos
O cheiro metálico da luz que percorre o ar

Um membro fantasma contrai
Raízes se deparam com pedra e chorume
A fuligem é um amante penetrando os poros
Meu corpo confuso grita em silêncio,
tingido de monotonia e doença

Um lodo escuro e mal cheiroso encobre-me
Humanos Macacos em botas apressadas
Carros fortaleza atravessam as ruas de aço
Infâncias precipitadas em óleo de motor
Convicções feitas de falsas certezas
Ecoa o choro da máquina recém-nascida

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