Escuridão de cabeças
se agitando
Sombras momentaneamente
eternas
O céu partido ilumina
Macacos Humanos
Um sol vermelho brilha
em olhos agudos
Eles se reúnem ao meu
redor
Flores incandescentes
brotando dos dedos
O calor sopra
vaga-lumes efêmeros
Ergo-me na vastidão
Braços que buscam o
céu
Pés descalços
descompassados
Uns fogem nas trevas do
medo
Outros flutuam
lentamente
Mariposas recém
transmutadas,
perseguindo luz pela
primeira vez
Gritos primordiais de
vitória rasgam as estrelas
A
fumaça escura preenche nuvens em êxtase
Uma
gota solitária escorre pelas entranhas,
despencando
nos paralelepípedos sujos e nervosos
O
cheiro metálico da luz que percorre o ar
Um
membro fantasma contrai
Raízes
se deparam com pedra e chorume
A
fuligem é um amante penetrando os poros
Meu
corpo confuso grita em silêncio,
tingido
de monotonia e doença
Um
lodo escuro e mal cheiroso encobre-me
Humanos
Macacos em botas apressadas
Carros
fortaleza atravessam as ruas de aço
Infâncias
precipitadas em óleo de motor
Convicções
feitas de falsas certezas
Ecoa
o choro da máquina recém-nascida